segunda-feira, 10 de julho de 2017

Dubai, ame-a ou deixe-a!


Há qualquer coisa de irreal em Dubai. O desenvolvimento e crescimento da mega estrutura urbana que é Dubai, não envolve. Tão pouco agride. Mas é impossível ficar indiferente diante desse organismo vivo e, para mim, com tão pouca identidade.

A cidade é como uma colagem de enormes edifícios. Uma cultura que, em tudo nos é estranha. Uma metamorfose densa e extensa. Uma gigantesca colmeia urbana onde tudo é feito para nos tirar o fôlego. Uma cidade que disparou em direção ao futuro e deixou para trás, em uma nuvem de poeira seu passado, uma pequena localidade de pescadores e apanhadores de pérolas.

Dubai me pareceu meio irreal e futurista. Há momentos em que a cidade se recolhe e não há ninguém pelas ruas, certamente devido às altas temperaturas - quando estive, junho passado, fazia 48graus - mas logo se agita e inicia sua marcha apressada.

Do alto do edifício onde estávamos hospedados era possível ter uma percepção mais clara do que é Dubai: Uma sucessão de arranha-céus rodeados por zonas de casas cor de areia, que se estendem até o mar. E então é possivel entender melhor que esta é uma cidade que foi realmente plantada onde até pouco tempo atrás, tudo era praticamente um deserto.

Dubai é o máximo do artificialismo. Lá se encontram algumas das obras de engenharia mais caras do mundo: as áreas aterradas, onde antes era mar. E talvez movidos por essa atmosfera de que tudo em Dubai é possível, há quem diga que a cidade é um lugar onde tudo se pode. E há momentos em que se tem a sensação de que tudo nos é permitido, ou não, como consumir bebida alcoólica em público, por exemplo. Para consumir bebida alcoólica, mesmo que seja em casa é necessário que se tenha um documento específico que permita comprar e fazer uso da bebida. Caso a pessoa não a tenha e aconteça alguma coisa enquanto estiver embriagada, como um acidente de carro, por exemplo, certamente irá presa. E não para por aí: Receber um convidado em casa e consumir álcool também poderá ser um problema, pois se seu convidado ao sair sofrer um acidente e você não possuir o tal documento, então você será declarado o responsável, e não ele. E comer ou beber – aí qualquer tipo de bebida - dentro dos vagões do metro, que são impecáveis e limpíssimos, também é proibido, inclusive nem chiclete é permitido. Dá multa, e bem cara.

Mas caso você queira provar um cappuccino polvilhado com ouro, aí sim, isso pode! Basta que você vá até o topo do Burj al-Arab, o hotel de sete estrelas localizado em uma pequena ilha artificial. E se quiser detonar ainda mais o seu cartão de crédito e tiver pernas para caminhar quilômetros, então se jogue no maior shopping do mundo, o Dubai Mall, com suas mil e duzentas lojas , quase todas de grife, óbvio,  ou as vinte e duas salas de cinema, as cento e sessenta redes de fast food, os cento e vinte restaurantes, a maior pista de patinação de gelo no mundo ou um dos maiores aquários, com cerca de trinta e três mil espécies marinhas.  

E durante essa maratona, não se preocupe com o idioma, pois isso não será problema. Se você souber o básico em inglês, já está de bom tamanho, pois Dubai é uma cidade muito internacional. Mais de 80% da população é composta por estrangeiros de todas as partes do mundo, e o inglês é amplamente falado. Na verdade Dubai mais me pareceu uma cidade de passagem, aonde as pessoas vem para dar um tempo, fazer um dinheirinho, ou não, se levarmos em consideração que Dubai é deserto e toda a comida é importada, portanto, bem cara.

E quanto à vestimenta, também não há grandes problemas. Vi muitas mulheres usando roupas curtas, decotadas e inclusive shortinho. Obviamente eram turistas ou moradoras estrangeiras, pois as mulheres locais andam cobertas da cabeça aos pés. De negro, geralmente. E chama atenção que as famílias são enormes, pois segundo o islã, os homens podem ter varias esposas e, portanto, uma penca de filhos. Vê-se muito pelos shoppings. Sempre há um homem cercado por algumas mulheres e várias crianças ao redor.

Andar por Dubai é muito seguro, inclusive à noite. Lá não existe morador de rua, nem cachorro abandonado. E pensando bem, não lembro ter visto nenhum cachorro pelas ruas de Dubai. Também não há pichações, lixo na rua ou qualquer coisa que possa desviar nossa atenção do luxo e brilho do lugar. Realmente é um oásis no meio do deserto. 

Enfim, quem visitar Dubai daqui a seis meses ou daqui a um ano já verá uma cidade diferente daquela que conheci agora. E a impressão que fica é de um lugar que encanta, mas não comove. Que se ama ou não. Um lugar para se visitar uma única vez ou voltar a cada ano. Uma cidade que me mostrou que existe coisa que é preciso ser vista para ser entendida. E que existem sentimentos que precisam ser vividos para se aprender o valor de se ter para onde voltar.

Quer descobrir Dubai? Então vá ver com seus próprios olhos, porque nada melhor do que poder ter opiniões sobre aquilo que vivemos, e não apenas sobre o que ouvimos contar.