sábado, 5 de agosto de 2017

“The Lost Honour of Christopher Jefferies”



Acabo de assistir a um belíssimo filme que aborda o drama vivido pelo professor aposentado Christopher Jefferies que, até então, gozava de uma vida tranquila e uma reputação intocável. Ocorre que Jefferies passa do paraiso ao inferno ao ser apontado como principal suspeito na morte de sua inquilina, a estudante de arquitetura Joanna Yeates, ocorrido na cidade de Clifton, Inglaterra, 2010.

Jefferies então é levado à estação policial e lá interrogado a exaustão. Por vários dias é mantido preso, porém, sem evidencia alguma. Mesmo assim, diariamente sua imagem ganha às primeiras páginas dos jornais britânicos que o descrevem como um homem estranho, solitário e excêntrico, principalmente por seus trejeitos e postura corporal nada convencional, o suficiente para que a opinião pública o julgue e condene.

E enquanto a trama seguia, inúmeras reflexões surgiam, principalmente no que diz respeito aos limites entre o direito à honra, intimidade e imagem da pessoa investigada e o direito e respeito à liberdade de informação.

Muitas perguntas surgiram e muitas historias como a de Christopher Jefferies me vieram a mente. Histórias de pessoas que foram vítimas de investigações cheias de falhas, execradas pela imprensa sensacionalista e manipuladora e, óbvio, com a conivencia de uma plateia sedenta em julgar e opinar quando na verdade não possui nada em que fundamentar sua opinião ou juízo. Mas para essa gente pouco e nada é suficiente para destruir a vida alheia – a cena em que Jefferies chega a sua casa e se depara com todos seus pertences espalhados e sua intimidade devassada, é de cortar o coração.

Ou seja, sem provas Jefferies foi condenado pela opinião pública porque seu perfil não se ajustava com o de uma pessoa “normal”. Por isso não me deixo levar pelas aparências. Tão pouco acredito cegamente em tudo que assisto ou leio por aí. Disseminar informações duvidosas e que não estejam respaldadas com a verdade, e pior, de forma deliberada, faz com que nos somemos a essa corja nojenta de colaboradores de injustiça e difamação

Assegurar o direito à informação não significa desrespeitar o direito a intimidade e a vida privada. Muito menos denegrir a honra e a imagem de alguém. Mas infelizmente isso acontece muito, principalmente na internet, pois a informação que nos chega geralmente vem carente de uma verdade e razão. Não há atenção ao que é realmente importante e relevante. Qualquer notícia rapidamente pode ser qualificada ou desqualificada, confirmada ou negada, aprofundada ou rejeitada por milhões de pessoas. E geralmente sem o mínimo conhecimento, mas amparada no argumento de que todos têm direito a expressar-se, o que obviamente é uma mentira, já que pessoas e muitos meios de comunicação atropelam leis, invadem a privacidade das pessoas e usam de má fé no tratamento das noticias, pois o que vale é a ilusão e o burburinho que possa causar. 

Enfim, “The Lost Honour of Christopher Jefferies” é um filme lindo e sensível. Com cenas bem amarradas, comove demais. É praticamente impossível ficar alheio ao duro calvário pelo qual Jefferies passa para recuperar sua honra e dignidade.  

E graças a sua particular cruzada pelo direito à intimidade, logrou responsabilizar os meios de comunicação pelo desastre que deixaram sua vida. Obteve não somente uma indenização por danos morais, mas também a publicação de um pedido de desculpa como parte de uma compensação moral, pois o julgaram não pelos seus feitos, mas sim por ser diferente.